quinta-feira, 17 de junho de 2010

Fernando Pessoa


"É fácil trocar as palavras,
Difícil é interpretar os silêncios!
É fácil caminhar lado a lado,
Difícil é saber como se encontrar!
É fácil beijar o rosto,
Difícil é chegar ao coração!
É fácil apertar as mãos,
Difícil é reter o calor!
É fácil sentir o amor,
Difícil é conter sua torrente!
Como é por dentro outra pessoa?
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.
Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição
De qualquer semelhança no fundo."

reminiscências


naquela casa minha avó resmungava
plantava roseiras
via o rio
que abraçou mais um filho suicida
sua alma embaralhada
inventava cantigas para eu dormir

sobre a mesa
moringa com água da mina
canecas de alumínio
pratos de ágata
comida farta

eu pessoinha miúda
passos curtos
via a lamparina a fumegar
os primeiros cheiros
querosene
rosas
perdia a consciência
pelos corredores infindos da casa

naquele tempo...
eu dormia eternidades
todos cuidavam de mim
davam-me a mão e oração
cobriam-me com cuidados homeopáticos

espreitei a fresta do assoalho
lá estavam sonhos fatigados
nossos umbigos encovados
sussurros dos tios suicidas
conheci o medo
chorei baixo
resolvi plantar rosas como minha avó

Sobre mim

Eu, que me encantava com tanto,
perdi a graça, fiquei ingrata.
Mulher feita, sem enfeites
legitimei o riso amarelo.
E, sobre mim, pairam brasas.

Se digo a verdade, é o inferno.
Viver é experimento do observar.
E depois de tanto, a língua destrava,
sem consentimento.
Deus ri baixinho,
solidário a mim.
E a alma poeta transborda,
borda sobre o papel
a acidez dos versos.

Não sou amarga.
Sou assim, meio destemida,
olho sem vergonhas
a nudez do mundo.
Crio atalhos pela madrugada,
farejo o pólen,
semeio minhas cruzes
nos poemas inventados.

E nesta lassidão
rebordo a vida
que teima em gemer
na lua minguante.
Vou colando estrelas no teto,
roubo da noite o silêncio,
mudo meus rumos.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Somos gatos escaldados

Será que não dá para os atuais candidatos à Presidência da República nos poupar? Seriamente, fico a espera, em todo ano eleitoral, de uma campanha com menos trocas de farpas e dossiês. Quero é uma ideologia fundada em princípios, que tenha comprometimento com as causas sociais e principalmente com a educação. Se há necessidade de alianças para fortalecer, que sejam com partidos que tenham o mesmo ideal. Não sei se podemos idealizar utopias com que já serviu a uma ditadura.
Todo este meu sentimento é comum à maioria das pessoas que passaram durante cinco décadas, vendo o mundo se transformar. Em particular, tivemos no Brasil uma ditadura militar, combatida pela “guerra de movimento”, que não conseguiu ir além da guerrilha urbana. Foi um desastre que só resultou na derrota das organizações armadas e endurecimento do regime e na sua maior duração. O processo de abertura foi iniciado pelos próprios algozes em 1979.
Em 1985, o país estava redemocratizado e, em 1988, uma nova Constituição que, se não chegou a antecipar uma república socialista, quase chegou a ela.
Vimos a sociedade atravessar por Woodstock, o festival que representou muitas conquistas como liberdade de expressão; liberdade sexual; o estabelecimento da força jovem; a exposição das necessidades das minorias; o fortalecimento do potencial feminino frente a um mundo machista e o congraçamento de brancos, negros, gays, ricos e pobres.
Em maio de 1968, na França, estudantes deixaram as salas de aula e se mobilizaram para dar a seus professores, família, instituições e governo lições sobre os novos tempos, a liberdade e a rebeldia. Solidificando as mudanças, a queda do muro de Berlim, em 1989, significou o fim dos regimes comunistas da Europa.
Portanto, caros senhores candidatos, somos partes fragmentadas que se uniram em prol de um mundo mais justo e igual. Ainda vivemos num planeta com paradoxos, há sistemas que condenam a um padrão de vida miserável os seus cidadãos.
Fomos reformulados para pensar com amplitude e fórmulas antigas de se fazer política nos enjoam. Não queremos discursos engajados no coronelismo e tampouco um socialismo quem se aproveita da ignorância do outro para tirar vantagem.
Começaremos a semana com a oficialização das candidaturas e na terça-feira a estréia na nossa seleção na Copa do Mundo de Futebol. Um momento oportuno para boa reflexão. Candidatos mirem-se no líder sul-africano, Nelson Mandela.
Tanto Dilma como José Serra foram perseguidos pelo regime militar. Ambos representam uma geração marcada por transformações doridas e conhecem as necessidades da sociedade moderna. O eleitor deve romper as estruturas do corolenismo, que ainda teima em reinar nas cabeças de nossos políticos. Na sociedade do século XXI há bastante espaço para se reinventar fórmulas de politicagem decente, sem que os candidatos se engalfinhem pelo poder e maculem a honra do povo.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Sem ser o tanto

quando criança
quer-se crescer
ser tantos
entretanto
no tanto
o tempo enferruja sonhos
vida vira sina
e meio sem jeito
cresce-se
sem ser o tanto e quanto

nas beiras
cercas
ferpas
perambeiras
eiras de sal

a lua rosna
no oco da noite
vem roçar a face
e a gente
ainda com queixumes
percebe num canto
que ainda é criança
tudo pode recomeçar

terça-feira, 11 de maio de 2010

Mãe, cuide da educação de seus filhos!

Omissão
Longe está o tempo em que mães educavam e defendiam seus filhos. Com a minha, aprendi a me portar em grupo, comer de boca fechada, fazer a minha higiene pessoal e principalmente respeitar os mais velhos. É claro que às vezes eu fugia das regras e sofria os castigos necessários.
Há duas semanas, uma diretora de escola em Juiz de Fora teve o nariz quebrado e o corpo todo cheio de hematomas. Ato praticado pela mãe e pela irmã de uma aluna que se revoltaram, pois tal estudante foi repreendida pela diretora por ter jogado um livro num colega. O fato acabou na delegacia de polícia, envolveu a Secretaria de Educação e, por fim, na página do maior jornal da cidade. Tomei conhecimento através da imprensa e de uma amiga que trabalha no educandário. Já trabalhei nesta escola e conheço bem a proposta da direção, que sempre tratou com discernimento os conflitos entre alunos e professores.
Tenho consciência das mudanças significativas nas famílias de hoje. É raro encontrar uma família toda estruturada com pai, mãe e filhos sob o mesmo teto atualmente. Nesse contexto vem também à necessidade dos pais ficarem ausentes por questões de sobrevivência e profissional.
O não estar presente de forma efetiva e construtiva na vida dos filhos, faz que uma mãe e um pai ignorem o crescimento dos filhos, dando-lhes noções de cidadania e primeiros ensinamentos. Quando acontece algum transtorno de desvio de conduta, os pais (maioria das vezes, as mães) se voltam contra a escola que ficou delegada a dar uma educação que deveria ser responsabilidade deles.
Observam-se em muitos casos que os educadores, na ânsia de cumprirem seus papeis, estabelecem regras, limites. A conduta tem gerado conflitos. Na sala de aula, a indisciplina e a falta de respeito só têm aumentado e para se ensinar o mínimo, professores precisam ser autoritários e disciplinadores. Até quando a escola sozinha conseguirá assumir a responsabilidade de educar? Não saberei apresentar soluções inovadoras, mas percebo a falta de sintonia entre os dois lados.
Educar não é tarefa fácil, exigi-se muito esforço, paciência e tranquilidade. É um saber ouvir, calar, comprometer e contribuir constantemente. Se os tempos são outros, e no campo desta relação há conflitos, ambos devem encontrar um ponto para o diálogo em suas atitudes e participações. Cabe aos pais estabelecerem um tempo para os filhos. Não comparecerem à escola não apenas para entrega de avaliações ou quando a situação já estiver fora de controle. O comparecimento e o envolvimento devem ser contínuos, escola e pais são parceiros.
Volto à minha mãe que, hoje ausente, se fez tão presente em minha formação. Com ela aprendi a tabuada de multiplicação, tão complexa para mim quando criança, o entendimento das palavras e o gosto pela leitura. Descobri que parte daquilo que sou hoje, foi-me dado com muitos “nãos”. Com minha filha tentei reproduzir o mesmo que obtive, é claro que com algumas modificações, mas sempre regrei e estive presente na escola e principalmente em casa, criando limites.
No último domingo, o “Fantástico – show da vida” (será vida mesmo?) denunciou uma disputa brutal entre adolescentes. Num rito de gladiadores batizado por “luta do lixo”, estudantes da classe média alta de Santa Catarina travam batalhas, previamente marcadas via internet, e vão ao extremo, até sangrarem. Pais afirmam que desconhecem seus filhos expostos à tal violência. Mesmo que cheguem em casa machucados, preferem julgar a ação como coisa boba de meninos. Ainda sou do tempo que quando se chegava em casa com algum hematoma, a mãe ia tirar satisfações na defesa de seu filho.
O excesso de permissividade aliado à omissão voluntária dos pais, é o resultado da má-educação dos jovens nas escolas e sociedade. É fruto cultivado no que chamávamos lar. Afinal, a sociedade parece desculpar rapidamente essas mães. E como dizem, mãe é mãe... Pais são pacas, ou serão parcos?


quarta-feira, 5 de maio de 2010

Apesar de...Com muito pesar

Não tenho parente militar. Sempre me pus do lado de cá, uma civil com ideias e ideais libertinários e libertinos. Fico chocada quando releio os casos de torturas ocorridos nos tempos negros da ditadura.
Lembro-me da música “Angélica”, de Chico Buarque e Miltinho, motivada pelo assassinato de Zuzu Angel em 1976 pelo governo militar. Eles queriam impedir suas investigações sobre o paradeiro de seu filho, Stuart Edgard Angel Jones, sequestrado, torturado e morto pelos agentes da ditadura. Para quem não lembra da música aí vai à letra:

“Quem é essa mulher/Que canta sempre esse estribilho?/ Só queria embalar meu filho/Que mora na escuridão do mar/Quem é essa mulher/Que canta sempre esse lamento?/ Só queria lembrar o tormento/Que fez meu filho suspirar/Quem é essa mulher/Que canta sempre o mesmo arranjo?/ Só queria agasalhar meu anjo/E deixar seu corpo descansar/Quem é essa mulher/Que canta como dobra um sino?/ Queria cantar por meu menino/Que ele já não pode mais cantar”

“Angélica” destaca a face repetitiva da memória do mal, que vive de espiar uma falta que não pode ser sanada a não ser com a entrega do corpo do filho. O episódio se popularizou a partir do filme de Sérgio Rezende, “Zuzu Angel” em 2006. Trinta anos depois dos fatos, pus-me assistir o filme e o sentimento foi de total repulsa, percebo que na minha memória pulsa a dor e indignação pela ditadura imposta em 1964.A ânsia dessa mãe em reencontrar o filho para enterrá-lo, está presente em outras tantas Angélicas, como a própria Zuzu. Todas desejam recuperar a paz, dando um fim digno a seus filhos e parentes.



O que me leva a escrever sobre tal assunto, é que nesta semana o Supremo Tribunal Federal (STF), resolveu manter inalterada a Lei da Anistia. A medida contrariou uma revisão pleiteada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que permitiria a abertura de processos contra acusados de torturar presos políticos durante a ditadura militar.
“A decisão coloca um selo judicial de aprovação aos perdões estendidos àqueles no governo militar que cometeram crimes contra a humanidade”, afirmou o pesquisador da Anistia Internacional para o Brasil, Tim Cahill, em comunicado. Ainda conforme o pesquisador: “Isto é uma afronta à memória dos milhares que foram mortos, torturados e estuprados pelo Estado que deveria protegê-los. As vítimas e a seus familiares ficaram inacessíveis à verdade, à justiça e à reparação”.
Estamos sendo hipócritas ao esconder debaixo do tapete, a poeira que nos sufoca, a ditadura. O fato não nos causará amnésia, mas um má digestão coletiva que se retratará na história.
A Anistia chegou ao Brasil apenas em 1979, alinhavada pelos responsáveis da ditadura militar e seus aliados civis, no caso como portadora da impunidade. Esperávamos que depois de tanto tempo, “Zuzus” pudessem reconstruir suas vidas com as verdades sobre seus filhos e parentes desaparecidos. Cabe ao Estado abrir seus arquivos (incluindo os das forças armadas) visando esta busca pela verdade. Sendo assim, termino com outra frase do Chico: “Apesar de você (STF) / amanhã há de ser outro dia... Quando chegar o momento/ Esse meu sofrimento /Vou cobrar com juros. Juro!”.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Estações


Cavo buracos nas estações
O rio transborda em gotas
Aflui pro mar
Há um tempo pra tudo
Ou nada
Também tenho pressa
Em afluir às lembranças
Arremessá-las ao mar

Três antiontém em nuvens de algodão
Foi primavera
Tranças
Abraços
Laços
Afagos
Parte de um todo que dista

Anteontem moça feita
Fui verão
Dancei
Beijei
sangrei
E Camufladas
Estão minhas melhores fotos

Ontem ao parir as crias
Já era outono
Embalei-as
Embriagada
Reandei
Por nuvens de algodão doce

Hoje celebro os tempos
É in(f)verno
Luas enfadonhas
Janelas cerradas
Olhares silenciosos
Poucos doces
E uma puta saudade

Fui selecionda para participar do Cancioneiro Infanto-Juvenil para a Língua Portuguesa pelo Instituto Piaget- Campus Universitário de Almada -

terça-feira, 20 de abril de 2010

"Pai, perdoai-os porque eles não sabem o que fazem." Será?

A República de Malta é um pequeno país europeu, composto por um arquipélago de cinco ilhas muito próximas, situadas a 93 km ao sul da ilha da Sicília, na Itália com 93,4% de sua população de católicos. O papa Bento XVI, no último fim de semana, visitou o país para lembrar o 1950º aniversário do naufrágio do apóstolo Paulo na ilha mediterrânea. O papa se reuniu com um grupo de pessoas que foram internas do orfanato católico Casa São José, na localidade de Santa Venera. Eles pediam justiça pelos abusos sexuais cometidos por religiosos na instituição durante os anos 80.
Por um instante, ou seja, uma eternidade do meu tempo penso na Igreja de Paulo e na Igreja de Bento, a peregrinação dos dois se confundem no tempo e nos objetivos. Não que eu queira a doutrina pregada por Paulo ou Bento. Há muito me afastei do ópio da religião, isso pode causar certa indignação entre os leitores. Mas esta é uma história que a mim pertence, outro dia falo sobre.
Sempre houve supostos casos de abusos sexuais no meio clérigo. Penso que pedidos de desculpas e afagos papais não são suficientes para apagar as marcas dos corpos abusados. Na sociedade civil quem pratica pedofilia é punido pela justiça e dentro dos cárceres. (abre-se exceção ao caso do pedreiro, Adimar da Silva que estava com liberdade provisória depois de cumprir quatro anos por barbáries cometidas, em novembro de 2005, com dois jovens de Águas Claras, cidade próxima a Brasília. O pedreiro reincide e mata seis jovens em Luziânia, GO, preso em 10 de abril). Em tempo, Adimar supostamente suicidou-se nos domingo dia 18 de abril. Mais um caso de incompetência da nossa justiça.
Até pensei em definir a palavra pedofilia, mas não vale a pena. Dói muito saber que existem pessoas desprendidas de qualquer pudor e com total perversão, usam crianças de modo sórdido para satisfazerem suas fantasias.
Quando criança, fiz a primeira comunhão, como todas as crianças, vesti-me de branco, preparei-me para receber Cristo. Eu me encantava com as missas de maio, os anjos, o cheiro do incenso e a água benta, meio turva da entrada da igreja. Não quero generalizar e tampouco julgar todos religiosos. Afinal, muitas vezes gostei de ir à igreja e ouvir os sermões do padre Edson, tão politizados e didáticos. Mas não calarei a minha indignação. Cresci aprendendo que aquela é a casa de Deus e que os homens e mulheres próximas a ele inspiram caridade, benevolência, amor ao próximo e paz. Imaginem a cabeça de quem passou por um abuso dentro da casa de Deus. Quem custeará o tratamento das vítimas abusadas? Que se use o dízimo e riquezas que a Igreja amontoou em nome de Jesus.
Muito fácil sair pelos quatros cantos e pedir perdão: pela inquisição, extermínio de índios e desculpas para o Galileu.
Vossa Santidade se diz comovido pelas histórias de abuso e expressou sua vergonha e lamentou pelas vítimas e pelo sofrimento de suas famílias. É necessária uma ação reparadora mais contundente por parte da Igreja.
Os tempos são outros e até Paulo nos daria o direito de viver com a verdade e abominaria a hipocrisia. Esperamos que na casa de Deus além de vassoura e muita água benta, haja sabão suficiente.





quarta-feira, 14 de abril de 2010

Primeiro ato

Eu não sou senão estátua
Flash a espera
Da ordem relâmpago
Daquele que me conduz
E seduz

Pelo dentro
Pelo fora
Guardo existências
Sob a ponta do punhal
Rasgo ventres
Sou torre
Arco
Alvo
Abade
Em tudo embate

Sabedor de mil faces
Não sou apenas uma estátua
Tenho braços largos
Falsos choros
Escaneio vidas
Sou código
De mil olhos
E deliberadamente
Minto

Sou mito
Arena
Pilhéria
Para o seu gozo
Estou aqui
A tirar minhas máscaras.

desconfortos

removed from the site Leticia Bonetti
é nesta hora surda
que o verbo se solta
expulsa o ácido do dia
pelas pupilas despidas
e o umbigo cede
vez ao pensamento

tem-se saudades
das casas vividas
afagos maternos
amores famintos
e no fundo
um desconforto no peito

não há prece
só a pressa
da busca ligeira
em se fazer feliz
nos dias lilases
até canto

ando tão cheio de rugas
que esqueço das estrelas
da lua
do ipê
e de olhar você

nesta reconstrução
esperneio nos versos
a insensata história
de minha vida
tão sem graça
tão finita

quinta-feira, 25 de março de 2010

Rodan e Camille Claudel - Um amor do outro mundo -

Uma cegonha macho percorreu cerca de 13 mil quilômetros para encontrar sua companheira deficiente que vive em uma vila croata. A ave chamada ‘Rodan’ (à direita) voou da África do Sul até a vila de Brodski Varos, no leste da Croácia. Segundo a reportagem do jornal ‘Jutarnji List’, esse é o quinto ano consecutivo que ‘Rodan’ faz a viagem épica, já que sua companheira não consegue voar. (Foto: AFP)

Retirado do site http://www.g1.com.br/


Nasci no outono
Deve ser por isso
Que sou pausa
Quaresma em ritos
Coberta de roxo
Como santos

De vida ortogonal
Olho de soslaio
Lugares secretos
Observo palavras
Próprio do meu viver
Captar segredos
Do legado a mim reservado

Para meu gozo
E desassossego
Não chego dentro de mim
Razão maior
De voltar sempre