sábado, 27 de fevereiro de 2010

Sem magias

Eu bolava sonhos pros meus dias
Encantava-me com joaninhas
E com o miolo do pão
Alimentava fileiras de formigas

Alinhavei em versos
Os ventos
Uivos noturnos
Assombrações
E o medo do crescer

Na gaiola prendi o sabiá
Revoltado parou de cantar
Eu também engaiolado
Perdi o jeito de olhar
Esqueci cantigas
Já me contento com pouco

Quando viro pro canto
Abro asas e minha mãe
Ainda que ausente
Se põe a cantar
E vem o cheiro do doce de leite
Porque a alma só dorme
Se a lembrança chegar

2 comentários:

Jussara disse...

Também realizo todos os meus sonhos e liberto-me dos medos quando viro pro canto...

Pedro Luso disse...

Fátima,

É sempre muito bom quando se encontra, aqui na Internet, poetisas (ou poetas) com a sua sensibilidade, e, o que é indispensável, com a técnica e o talento para esse difícil e importante gênero (o mais nobre?!) da literatura.

Parabéns pelo seu belo poema.

Abraços,
Pedro.